Carne bovina deve ficar mais cara no Brasil até o fim do ano
Redução dos abates, renovação da cota de exportação para a China e maior demanda nas festas de fim de ano devem pressionar os preços
12/07/2026
Por @clicdovale | contato@clicdovale.com.br
Em Agricultura, Meio Ambiente e Pet

A carne bovina deve voltar a pesar no bolso dos brasileiros nos próximos meses. Apesar de o Brasil ter esgotado a cota anual de exportação com tarifa reduzida para a China, especialistas afirmam que a expectativa é de alta nos preços ao consumidor até o fim do ano.
A China, principal destino da carne bovina brasileira, limita as importações com tarifa reduzida a 1,1 milhão de toneladas por ano. Após atingir esse volume, a alíquota sobe de 12% para 55%, tornando as exportações menos competitivas.
Mesmo com a redução das vendas ao mercado chinês, não deve haver aumento da oferta de carne no mercado interno. Segundo analistas, frigoríficos já reduziram o ritmo de abates, diminuindo a produção e contribuindo para manter os preços elevados.
Outro fator que influencia o mercado é o tempo de transporte da carne até a China, que leva cerca de 40 dias. Com a renovação da cota prevista para janeiro, os frigoríficos devem direcionar parte da produção do fim do ano para atender à demanda do mercado chinês em 2027.
Além disso, o consumo de carne costuma aumentar durante as festas de Natal e Ano-Novo, ampliando a pressão sobre os preços.

Segundo Larissa Alvarez, analista de inteligência de mercado da StoneX, a criação das cotas pela China alterou a dinâmica do mercado brasileiro. Antes, a maior demanda chinesa ocorria no segundo semestre para abastecer o Ano-Novo Chinês. Agora, os frigoríficos antecipam as exportações para aproveitar a tarifa reduzida antes do esgotamento da cota.
Como consequência, o preço da arroba do boi gordo chegou ao recorde de R$ 365,00 em abril. Atualmente, o valor gira em torno de R$ 330,00, reflexo da menor demanda por parte dos frigoríficos e da redução dos abates.
Para Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, essa queda tende a ser temporária. Ele afirma que a menor disponibilidade de animais para abate, somada à estiagem prevista e ao aumento da demanda no fim do ano, deve provocar uma nova alta nos preços da carne.
Já o professor Bruno Capuzzi, do Insper Agro Global, avalia que a menor procura por carne no mercado interno e as férias coletivas em alguns frigoríficos podem proporcionar um alívio temporário aos consumidores, sem representar aumento da oferta.
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Com informações do portal g1
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