Levantamento aponta falta de mais de 7 mil professores na rede estadual

Número equivale a 11,8% do quadro total de profissionais. Afastamentos incluem pedidos de exoneração e licença-saúde, por exemplo.

10/05/2019

Por Clic Paverama | contato@clicpaverama.com.br | Clic do Vale
Em Educação e Cultura

Ano após ano, a notícia se repete: faltam professores nas salas de aula das escolas estaduais. Levantamento feito pela Secretaria Estadual da Educação (Seduc) a pedido da reportagem mostra o tamanho do problema. Atualmente, há um total de 7.131 docentes longe do ambiente escolar. A soma equivale a 11,8% do quadro total de profissionais, formado por 41.857 efetivos e 18.483 professores contratados. Os números referem-se ao dia 30 de abril.  

Segundo a Seduc, as necessidades em sala de aula mudam dia a dia. Os professores pedem aposentadoria, entram em licença-saúde, precisam sair para cuidar de algum familiar doente. Neste ano, no entanto, um dado tem chamado a atenção do governo estadual: o crescimento dos pedidos de aposentadorias – 30% mais em relação ao ano passado.

Ivana Flores, secretária-adjunta de Educação, explica que a reforma da Previdência levou um número expressivo de profissionais a entrarem com o processo de aposentadoria. Entre dezembro e março, foram 941 pedidos.

– A reforma provoca os servidores que já têm tempo de serviço e seus direitos consolidados por tempo de trabalho a essa decisão. Aquele professor que antes pensava na continuidade, diante de uma reforma em que não sabe, de fato, quais serão as mudanças, toma essa decisão imediata – explica.

Além disso, outros números têm impactado no quadro de servidores, como os pedidos de licença-saúde. Este ano começou com 4.392 pessoas afastadas para tratamentos médicos. Outros 1.070 professores pediram exoneração, ou seja, migraram para outra atividade. Há 528 servidores em licença para acompanhamento de doença de familiar e 200 em licença-interesse, aqueles que se afastam do trabalho para qualificação profissional. 

A situação fica evidente em instituições como a Escola Estadual Barbosa Rodrigues, em Gravataí, na qual os alunos enfrentam a falta de professores desde o início do ano letivo. A instituição precisa de professores de filosofia, literatura, matemática, física, geografia, história e ensino religioso no turno da manhã.  

A maior dificuldade de pessoal, em todo o Estado, está nas cidades de  Porto Alegre, Caxias do Sul, São Leopoldo e Gravataí. As áreas das exatas, historicamente, acumulam a maior necessidade por profissionais. Para suprir as vagas, o Estado tem usado as contratações temporárias. 

Gaucha ZH