Colheita da marcela perde força no RS e acende alerta para preservação

Tradição da Sexta-feira Santa segue viva, mas redução da planta preocupa especialistas.

03/04/2026

Por @ClicdoVale | contato@clicdovale.com.br
Em Agro e Pet

A tradicional colheita da marcela, realizada na Sexta-feira Santa em diversas regiões do Rio Grande do Sul, segue como um costume cultural e religioso transmitido entre gerações. No entanto, a prática vem perdendo força nos últimos anos, acendendo um alerta para a preservação da espécie no Estado.

A marcela, conhecida cientificamente como Achyrocline satureioides, é uma planta nativa do sul do Brasil e de outros países da América do Sul. Ela floresce principalmente no período que antecede a Páscoa, o que reforça sua ligação com a tradição da Semana Santa. Desde 2002, é reconhecida como símbolo do Rio Grande do Sul.

A cultura popular orienta que a colheita seja feita antes do nascer do sol da Sexta-feira Santa, quando a planta ainda está coberta pelo orvalho. Embora essa crença não tenha comprovação científica, ela permanece forte no imaginário popular.

Nos últimos anos, porém, há relatos de redução na presença da marcela em diversas regiões. Entre os principais fatores apontados estão a coleta excessiva, a retirada incorreta, com o arranquio da planta inteira, e alterações ambientais, como mudanças no uso do solo e condições climáticas.

Diante desse cenário, especialistas recomendam práticas mais sustentáveis durante a colheita. A orientação é retirar apenas parte das flores, sem arrancar a planta, permitindo que ela complete seu ciclo natural e se regenere. Também é indicado evitar a coleta em áreas próximas a rodovias, devido à possível contaminação por poluentes.

Além do valor cultural, a marcela é conhecida por suas propriedades medicinais, sendo tradicionalmente utilizada como digestiva, anti-inflamatória e calmante.

A continuidade da tradição, segundo especialistas, depende do equilíbrio entre o costume e a preservação ambiental. A adoção de práticas conscientes é considerada fundamental para garantir que a colheita da marcela siga presente nas próximas gerações no Rio Grande do Sul.

Marcela ou macela?
Apesar das duas formas serem usadas popularmente, “macela” é a variação mais antiga e tradicional do termo. Já “marcela” acabou se consolidando no uso cotidiano no Rio Grande do Sul e em outras regiões. Ambas se referem à mesma planta, a Achyrocline satureioides.

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