Agronegócio gaúcho movimenta US$ 4,5 bilhões no quarto trimestre de 2025 e mantém protagonismo nas exportações

Mesmo com retração influenciada pela menor oferta de soja, carnes e fumo impulsionam desempenho do setor no Estado

02/03/2026

Por @ClicdoVale | contato@clicdovale.com.br
Em Agro e Pet

O agronegócio do Rio Grande do Sul movimentou US$ 4,5 bilhões em vendas externas no quarto trimestre de 2025, o equivalente a 74,4% de tudo o que foi exportado pelo Estado no período.

Apesar da retração de 6,2% em relação ao mesmo trimestre de 2024, o setor manteve forte participação na balança comercial gaúcha, com destaque para o avanço das cadeias de carnes e fumo.

Os dados integram o Boletim Indicadores do Agronegócio do RS, coordenado pelo pesquisador Sérgio Leusin Júnior e divulgado pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG). O levantamento reúne informações sobre o desempenho do quarto trimestre, o acumulado de 2025 e dados de emprego formal no setor.

No último trimestre do ano passado, os principais segmentos exportadores do agronegócio gaúcho foram:

• Complexo soja: US$ 1,6 bilhão
• Fumo e seus produtos: US$ 945,1 milhões
• Carnes: US$ 755,2 milhões
• Produtos florestais: US$ 329,3 milhões
• Cereais, farinhas e preparações: US$ 297,4 milhões

Na comparação com igual período de 2024, o complexo soja apresentou a maior retração absoluta, com queda de US$ 632,8 milhões (-28,8%), fortemente impactada pela estiagem. A soja em grão concentrou a principal redução, com recuo de 34,7%.

Na comparação com igual período de 2024, o complexo soja apresentou a maior retração absoluta, com queda de US$ 632,8 milhões (-28,8%), fortemente impactada pela estiagem. A soja em grão concentrou a principal redução, com recuo de 34,7%.

Em sentido oposto, o setor de carnes registrou o maior crescimento no trimestre, com alta de 18,4% (US$ 117,5 milhões), impulsionado principalmente pela carne bovina (+93,7%) e suína (+18,3%). O fumo também avançou 7,1% no período.

No cenário internacional, a China permaneceu como principal destino das exportações do agronegócio gaúcho, concentrando 33,8% do total embarcado no trimestre, seguida pela União Europeia, com 15,0%. Juntamente com Indonésia, Filipinas, Vietnã, Coreia do Sul e Argentina, esses mercados responderam por 64,5% das vendas externas.

As exportações para a China recuaram 21,7%, refletindo especialmente o desempenho da soja, da carne suína e da celulose. Também houve retrações nas vendas para Egito e Irã. Em contrapartida, União Europeia (+31,2%), Indonésia (+145,2%) e Filipinas (+86,8%) registraram as maiores elevações no período.

No acumulado de 2025, o agronegócio gaúcho exportou US$ 15,4 bilhões, representando 71,5% das exportações totais do Rio Grande do Sul. O resultado corresponde a um recuo de 3,2% em comparação com 2024.

O complexo soja somou US$ 5,0 bilhões no ano (-20,3%), impactado principalmente pela redução nos embarques de soja em grão (-23,9%). Já os segmentos de carnes (+15,4%) e fumo (+11,1%) apresentaram os maiores crescimentos absolutos em 2025. O desempenho das carnes foi sustentado pelo avanço das exportações de carne bovina (+69,4%) e suína (+28,1%).

A China liderou como principal mercado no acumulado do ano, com 30,2% de participação, seguida pela União Europeia (13,9%) e Estados Unidos (4,5%). Indonésia, Filipinas e União Europeia apresentaram as maiores elevações nas compras ao longo de 2025.

A Nota Técnica de Exportações aponta que uma avaliação mais precisa sobre os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao agronegócio gaúcho ainda depende da análise dos dados consolidados do comércio exterior norte-americano referentes a 2025. A divulgação dessas estatísticas ocorreu apenas recentemente, em razão de restrições orçamentárias naquele país.

Mesmo diante desse cenário, as exportações do Rio Grande do Sul para os Estados Unidos recuaram pelo terceiro ano consecutivo em 2025. Ainda assim, a participação norte-americana no total exportado pelo setor manteve-se estável, variando entre 4,5% e 4,9%, o que garantiu ao país a terceira posição entre os principais destinos do agronegócio gaúcho.

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