Indústria calçadista vive pior outubro em dez anos e sente impacto direto da sobretaxa dos EUA
Setor registra queda de empregos e vê exportações desacelerarem após tarifa adicional de 50 por cento sobre calçados brasileiros
03/12/2025
Por @ClicdoVale | contato@clicdovale.com.br
Em Notícias Gerais

A indústria calçadista brasileira encerrou outubro com o fechamento de 1,65 mil postos de trabalho formais, segundo levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados.
O resultado foi o pior para o mês em uma década e reduziu o contingente total do setor para 294,22 mil empregos, índice 0,6 por cento inferior ao registrado no mesmo período de 2024.
A retração ocorre em meio ao impacto da sobretaxa de 50 por cento aplicada pelos Estados Unidos às importações de calçados brasileiros. A medida norte-americana entrou em vigor em agosto e tem encarecido o produto nacional no mercado internacional, prejudicando a competitividade e travando embarques, especialmente das empresas que dependem do mercado externo.
O Rio Grande do Sul, principal produtor de calçados do país, lidera as perdas. Somente em outubro o estado registrou o encerramento de 910 vagas. Dois polos tradicionais concentram a maior parte dos efeitos negativos, Vale do Rio dos Sinos e Vale do Paranhana Encosta da Serra, regiões que historicamente exportam volumes expressivos e abrigam cadeias produtivas consolidadas de fornecedores, fabricantes e prestadores de serviço ligados ao setor.

Em São Paulo o cenário também é de retração. O estado fechou 152 postos no mês, com destaque para o polo de Franca, referência nacional na produção de calçados masculinos. No acumulado, o setor paulista contabilizou 33,53 mil empregos formais em outubro, número 1,6 por cento inferior ao do ano anterior.
A Abicalçados alertou que, caso a tarifa permaneça em vigor ao longo de 2026 e o calçado brasileiro continue enquadrado como produto penalizado, o país pode perder até oito mil vagas no setor. A entidade ampliou o diálogo com o governo federal para buscar alternativas que atenuem o impacto, incluindo ações diplomáticas, negociações comerciais e estratégias de diversificação de mercados para reduzir a dependência das exportações aos Estados Unidos.
O setor calçadista brasileiro, que vinha ensaiando recuperação após oscilações provocadas pelo cenário macroeconômico dos últimos anos, vê na negociação internacional o fator determinante para evitar novas perdas de produção e emprego.
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Fonte: Abicalçados
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