Psico-Socializando por Henrique Weber
Conversa de Elevador
Convido o leitor para entrar nesse elevador, posso ser seu ascensorista. Imagine que nele esteja tocando a música de Paulinho da Viola, “Sinal Fechado” (ouça-a primeiro no YouTube), que descreve um encontro ao acaso de dois conhecidos, igual a que temos no chamado “conversa de elevador”. Certamente, você já passou por isto, em que prevalece um papo sobre “o tempo” e o desejo dos interlocutores de que aquele momento fortuito passe rapidamente.
O que podemos analisar dessa conversa de elevador? Acredito que a ansiedade é quem dá as cartas, e o encontro se configura num conflito inconsciente. Perceba que sentimos uma sensação de dívida ou falta com o outro, porque algo entra em conflito. Pode ser o desejo de não conversar colidindo com o dever de ser simpático. Daí, surge uma justificativa para “quebrar o gelo” e reparar esta falta, que chamo de solução de compromisso. Esta solução é enviesada pela pressa e a correria do cotidiano.
Como somos seres sociais, existe na gente uma disponibilidade que procura por uma abertura à conversação. Mas, não muito! Não queremos nos abrir, porém o desconforto da situação nos impele a associar com algum outro conflito latente vivido na vida, mas do cotidiano. E dali, revelações acontecem (de teor inconsciente, onde quem é treinado na escuta psicológica capta) que prestam a duas funções: a de distensionar o momento e a de preparar para um corte definitivo. A primeira função é o fator agregador de nossa natureza, a necessidade de estabelecer alguma relação/ ligação. Então, pode surgir uma confissão que se destaca nas seguintes frases da música: “pegar meu lugar no futuro” e “em busca de um sono tranquilo”. A segunda função vem com o comportamento evitativo, que procura encobrir o impulso que deu à abertura. O sinal de ansiedade dispara a defesa para evitar o aprofundamento desta reunião, buscando o controle da situação cujo resultado é a fuga, a despedida.
Mas, entre o início da conversação de elevador e o fim, é preciso manter o controle da ansiedade. E nada melhor que escolher um tema que seja de controle absoluto: o Tempo! É infalível... falar sobre o tempo permite transcorrer sobre um assunto, com a simpatia própria dos humanos, sem aprofundar nada com ninguém, e de fácil corte. Já, ao final, para não ficar ruim para ninguém, se adota outra solução de compromisso que é a promessa de um encontro num futuro breve. Marque a sua consulta em www.henriqueweber.com ou pelo telefone (51) 99265-4020.
Letra da música “Sinal fechado”.
Olá, como vai?
Eu vou indo, e você, tudo bem?
Tudo bem, eu vou indo correndo
Pegar meu lugar no futuro, e você?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe?
Quanto tempo, pois é, quanto tempo
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Pô, não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona?
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo
Talvez nos vejamos, quem sabe?
Quanto tempo, pois é, quanto tempo
Tanto coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge à lembrança
Por favor, telefone, eu preciso beber
Alguma coisa rapidamente
Pra semana, o sinal
Eu procuro você, vai abrir, vai abrir
Prometo, não esqueço
Por favor não esqueça, não esqueça
Não esqueço, adeus
Marque a sua consulta psicológica em www.henriqueweber.com ou pelo Whatszap 51 992654020.


